Breve inventário de homens solteiros

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Este é um projeto que nasceu da parceria de duas fotógrafas que, intrigadas com as imagens que alguns homens escolhem para se apresentar a possíveis parceiras românticas em aplicativos de paquera, começaram a criar um pequeno acervo.

Percebemos que muitas das situações, assuntos, contextos e visualidades se repetiam nessas imagens e que elas poderiam ser categorizadas em uma tipologia, e que essa tipologia poderia nos falar um pouco dos estereótipos e padrões de comportamento masculinos.

As pessoas geralmente criam perfis em aplicativos como esse a fim de atrair outras pessoas; logo, se mostram no que acreditam ser seu melhor, promovendo seus atributos e exibindo traços de seu estilo de vida em particular, com a esperança de conhecer gente com quem tenham afinidades. Há uma vontade intrínseca e atemporal da humanidade de ser aceita e acolhida pelos outros, e nos interessa ver isso traduzido em imagens. Aceitação e pertencimento são manifestações do instinto de sobrevivência.

Porém, entre homens e mulheres parece haver uma diferença na maneira de apresentar-se. Acreditamos que, historicamente, nós mulheres somos motivadas a nos apresentarmos visualmente de forma a agradar o olhar alheio. Assim, desenvolvemos um repertório visual mais amplo e socialmente aceito. Já os homens não estão habituados a se mostrarem de forma tão direta como estes aplicativos exigem. Talvez por isso, apresentam atributos que simbolizam materialidades externas à pessoa; carros, motos e viagens são temas recorrentes nos perfis masculinos. Isso reflete o velha e consolidado padrão de nossa sociedade que atribui valor às mulheres pela beleza, e aos homens pelos bens.

Breve inventário de homens solteiros é um projeto feminista; é feito por mulheres e inverte os papéis normais da imagem. Nele, são mulheres olhando para homens que são apresentados como objetos. A liquidez, a velocidade e a informalidade desses aplicativos também são fatores que nos interessam e que nos dizem muito sobre o comportamento da nossa sociedade. Entretanto, não nos interessa aqui um olhar julgador, mas sim mostrar as imagens como elas se apresentam e tentar perceber como somos todos guiados por estereótipos e padrões sociais.

Somos diferentes, mas iguais. Independente das escolhas imagéticas de cada um, no final das contas, o que todo o mundo quer mesmo é amar e ser amado. E dar match.

Renata Stoduto e Carolina de Góes

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